Estudantes americanos vieram ao Brasil para conhecer uma favela

Reportagem SPTV 1ª Edição
Published on Saturday, March 7, 2009
Source: TV Globo - SPTV 1ª Edição

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Puxadinho tipo exportação. Um grupo de estudantes de uma das universidades mais respeitadas dos Estados Unidos veio a São Paulo conhecer uma favela. Eles fazem sugestões de urbanização e criam projetos, mas ficaram admirados com a capacidade dos moradores daqui, de aumentar as construções, sempre com criatividade.
Decidir onde ir não é tão fácil assim. Afinal, o bairro é de difícil acesso. Construído às margens da represa Billings, na periferia da zona sul, o Cantinho do Céu surgiu como ocupação clandestina e hoje já abriga 70 mil pessoas.
Esse foi o cenário escolhido por treze estudantes de pós-graduação de Harvard, a famosa universidade americana. São arquitetos, engenheiros, urbanistas, paisagistas que já visitaram favelas de outros continentes.
Durante dois meses o grupo estudou lá na universidade de Harvard, nos EUA, todas as informações sobre essa região da cidade. Agora veio conhecer de perto a realidade do Cantinho do Céu. O resultado dessa pesquisa são 13 projetos de melhoria para o bairro. Uma visão estrangeira sobre uma das regiões mais distantes do centro de São Paulo.
Os projetos vão desde sugestões de transportes, pavimentação a um melhor aproveitamento da água da chuva. A maior parte dos alunos se surpreendeu com a criatividade dos moradores, com a forma como eles constroem as casas. Thomas, arquiteto diz: é interessante que todas as construções podem crescer. Você pode colocar mais um piso para toda a família.
A urbanista Sara Dabbs ficou impressionada com o cuidado que os moradores têm com as casas. As pessoas realmente cuidam delas, cuidam do seu espaço, diz ela. Apesar das condições precárias, muitas não querem deixar o lugar.
Você vai nas casas e as pessoas leem, tem tv a cabo, telefone, diz surpreso o paisagista Christian Werthmann. Tem muitos negócios. Lojas pequenas. O que mais me surpreendeu foi o a lojinha de cachorro e uma coisa eu aprendi: isso aqui é uma cidade, não uma favela.